...Pra entender o quanto a vida é
complexa e intensa, pra vivê-la de forma autônoma, pra pensar por si mesmo as soluções
para seus problemas.
A seleção natural não nos preocupa
mais, até nossos exemplares mais fracos podem passar adiante seus genes
decadentes, buscamos conforto em nossos livrinhos de auto-ajuda, em nossas
terapias individuais e em grupo, em nossas igrejas vendedoras de esperança.
Estamos cientes de nosso fracasso
em sermos nós mesmos e buscamos uma forma de aliviar a culpa por isso, por não
nos realizarmos em nossos empregos, amizades, romances... Em não conseguir ser
nem o que um dia desejamos, nem mesmo o que nos vendem nas propagandas.
Olhamos no espelho todos os dias e
não nos vemos de verdade, vemos uma mascara desgastada pelo tempo, uma mascara
que não nos agrada mais e que não temos a coragem de retirar.
Você é covarde demais pra assumir
para você mesmo o que realmente é, para parar um instante da sua vida automática
e pensar em si próprio. Não na roupa que vai sair pro shopping ou no perfume
que vai te ajudar a marcar no próximo encontro, mas no que é você. Que tipo de
monstro tem sido acorrentado no calabouço de seu ser desde a infância?
O monstro que tememos que nos
afaste de nossas relações sociais tão supervalorizadas, presas por linhas tão
finas que uma mínima demonstração de individualidade pode arrebentar. O preço
por sermos nós mesmos é alto, é, talvez, a solidão e a angustia, mas a
recompensa é a verdade. Não a verdade banalizada que nos vendem, mas a nossa
verdade, a que sintetizamos dentro de nos mesmos e que nos move para frente com
a força que os covardes, com suas verdades compradas, jamais terão.
Leonardo Almeida

