domingo, 28 de novembro de 2010

A IGNORANCIA É UMA BENÇÃO


Serve de alivio a alguns dizer isso. Como se tudo que não se encaixa na cultura dominante fosse ignorância. Os mesmo que dizem que não devemos chamar os “povos germânicos” de bárbaros, chamam seu próprio povo de ignorante apenas por desconhecer os problemas reais destes e suas demandas especificas. Aquelas que não são encontradas em nenhum livro de Marx ou Foucault. As que só quem sente, pode falar com clareza ou, na falta de palavras, chorar com clareza.

A intelectualidade tenta jogar em suas costas um peso que não carrega, o de conhecer o mundo e sofrer por conhecê-lo. Como o personagem no filme “Matrix”, que cita o titulo desse texto.

Já ouvi muitos e confesso que até eu mesmo já havia pensado outrora em como seria legal ser um pedreiro ou coisa do tipo, sem preocupações a cerca do mundo, da filosofia, dos modos de produção. Apenas trabalhar alienadamente para garantir a vida de miséria que já estaria acostumado enquanto soltaria cantadas nas garotas que passassem.

Mas pouco precisou para que eu percebesse que esse individuo nada mais era que uma simples idealização que se faz dos outros para acreditar que nos somos os verdadeiros seres pensantes. Os que realmente sentem as dores do mundo de forma mais refinada, com direito a reflexão e tudo mais.

            As pessoas no geral sofrem e não existe nesse caso um nível de consciência de sofrimento determinado por classe ou capital simbólico. São plurais as formas de refletir sobre seus sofrimentos e dar a eles o significado que mais se enquadra à lógica pessoal.


            Afirmar que a ignorância é uma benção pode ser como dar um tiro no pé revelando que o ignorante pode não ser o analisado e sim quem analisa a situação dos outros e tenta encaixar isso em seus próprios “esqueminhas de ver o mundo” ao invés de reconhecer que o outro tem seus próprios conceitos também e que podem ser entendidos e respeitados.

por: Leonardo Almeida

domingo, 7 de novembro de 2010

Aonde quer que eu vague


De volta ao trabalho, depois de merecidas férias, não vejo a hora de pegar a estrada com minha X.

Viajar é redefinir a vida, ver que o caminho nunca é igual, mesmo que seja a mesma estrada. Que o destino nunca é um dado imutável. Ele é sempre imprevisível, mesmo sendo conhecido.

Fica aqui uma musica que me define. Uma das que não me canso de ouvir. Se não sabe traduzir, se vire. Nosso deus da modernidade liquida existe para isso. Faça uma prece ao Google. Hahahah.

wherever i may roam


 Composição: James Hetfield / Lars Ulrich
 
And the road becomes my bride
I've stripped of all but pride
So in her I do confide
And she keeps me satisfied
Gives me all I need

And with dust in throat I crave
Only knowledge will I save
To the game you stay a slave
Rover, wanderer
Nomad, vagabond
Call me what you will
 
But I'll take my time anywhere
Free to speak my mind anywhere

And I'll redefine anywhere
Anywhere I roam

Where I lay my head is home
And the Earth becomes my throne 

I adapt to the unknown
Under wandering stars I've grown
By myself but not alone
I ask no one

And my ties are severed clean
The less I have, the more I gain
Off the beaten path I reign
Rover, wanderer
Nomad, vagabond
Call me what you will

But I'll take my time anywhere
I'm free to speak my mind anywhere
And I'll never mind anywhere

Anywhere I roam
Where I lay my head is home

sábado, 6 de novembro de 2010

pedaços de carne



Quantas pessoas passam por nossa vida de uma forma tão arrogante que, aparentemente, para elas o mundo parou. Nunca envelhecerão, nunca cairão na sarjeta da vida, mas de uma coisa tenho certeza, o mundo gira. E isso parece ser um ditado que, até se dito em tempos inquisitoriais, seria tido como, no mínimo, coerente.


Hoje me deparei com uma dessas pessoas. Só que ela não mais está como antes. A vida, o tempo a deixou destruída. Agora não há mais a cabeça erguida de quem se orgulha de si, de seu corpo, de sua intelectualidade. Há apenas um pedaço de carne ambulante. Apodrecendo, como apodrecem todos os outros pedaços de carne. O tempo não se importa se é de primeira ou sem qualidade, ele apenas destrói.


Ah! Doce humildade, tão atributo dos fracos quanto escudo dos fortes. Todos nos terminaremos como minha conhecida acima. Um pedaço de carne apodrecendo dia após dia. A única diferença reside no saber de sua condição. Saber o que irá se tornar. Ai está o emplasto Brás Cubas! O que nos torna mais resistentes às investidas do tempo e às amarguras da vida. A humildade serve para nos fazer sobreviver e ver os soberbos caírem em desgraça.


Se eu tivesse um bom vinho ou mesmo uma cachaça barata, teria brindado aquele momento em que a vida se revelou diante dos meus olhos. Revelou sua verdadeira face cruel e irônica.


Não pela primeira vez.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A LINHA tênue ENTRE O AMOR E O ÓDIO

Bem, alguns poderiam dizer que a imagem fala por si só, mas não acredito muito no potencial do ser humano para entender o óbvio.

Temos a ilusão cristã de acreditar que podemos ser apenas um pólo. Apenas bom, certo, honesto, corajoso e por ai vai uma lista de virtudes que se alguma pessoa conseguisse possuí-las daria nojo. Não percebemos o quanto são importantes os sentimentos complementares.

O ódio, a angustia, raiva, medo e tantos outros sentimentos demonizados, mas que todos cultivam no "quartinho dos fundos do coração". Vivo sendo bombardeado por pregações de amor, por bandeiras de tolerância. Será que não percebem que em cada sentimento está embutido seu oposto?

Quando amamos, nos pegamos odiando a pessoa amada ao mínimo sinal de deslize, no momento em que ela quebra o ideal e se mostra como realmente é. Quando levantamos bandeiras de diversos movimentos acreditando que representamos alguém, não levamos em consideração que estamos silenciando quem gostaríamos que tivesse voz.

Mesmo os indivíduos mais imbecis vigilantes dos seus maus sentimentos, sentem. Isso é natural. É, talvez, a única essência que o ser humano tem. Assim como os outros animais, nos amamos e odiamos ao mesmo tempo. Nos sentimos ameaçados e atacamos. 

“Existe um lugar cinza entre o preto e o branco”.  Um lugar onde podemos nos conhecer. Onde buscamos nosso equilíbrio. Não negando o que nos é natural, mas aproveitando o que dele nos serve para crescer sentimentalmente, e consequentemente entender que as outras pessoas tem o direito de escolher o caminho que devem seguir e que seus sentimentos não são ou bons ou ruins, são elas mesmas em sua complexidade e busca por serem completas.

leonardo

terça-feira, 2 de novembro de 2010

aulas inspiradoras

 Se você um dia folhear meu caderno e se deparar com gravuras como estas, não pense que estou perdendo meu tempo nas aulas. A verdade é que agradeço a alguns professores "bosta n'água"  por me inspirarem a buscar algo util para fazer em suas aulas totalmente tendenciosas e sem graça. Ah ,doce Emilia, se um dia chegar a ver este desenho abaixo, não pense que você faz parte dessa nova escola "bostanaguense" que ocupa as cadeiras das universidades. Você está aqui como uma homenagem por conseguir, ao mesmo tempo, me fazer desenhar como um louco, sentir sono nas aulas e querer ser um professor genial como vc.
obrigado.
arte e texto: leonardo almeida

solidão

A solidão é minha companheira, mesmo quando não tinhamos sido ainda apresentados devidamente. Mesmo quando a grande piada da vida social parecia sorrir pra mim. Agora entendo. Ela sorria de mim.

Decidir ficar só é decidir ser alvo das próprias críticas, e das dos que não entendem isso. Findados em seu mundo ultraconectado, não percebem que é na solidão que somos sinceros com a pessoa que mais importa que sejamos. Nós mesmos.

A busca incessante por se encontrar, por um caminho que faça algum sentido dentro de nossa logica e que fuja das logicas e dos caminhos pré-moldados e vendidos em cada esquina, em cada igreja, em cada universidade, cada bar, cada não eu. A busca por um dialogo com a voz interior. Uma voz que, quanto mais conhecemos seu interlocutor, mais parece ficar grosseira, quase um grunido de animal selvagem que se deixa conhecer.

Solidão não é o pior.

 ...

Solidão não é o melhor.

Solidão é descobrir o que somos para nós mesmos. E no final, isso é o que realmente vale a pena.

texto e arte: leonardo almeida