Serve de alivio a alguns dizer isso. Como se tudo que não se encaixa na cultura dominante fosse ignorância. Os mesmo que dizem que não devemos chamar os “povos germânicos” de bárbaros, chamam seu próprio povo de ignorante apenas por desconhecer os problemas reais destes e suas demandas especificas. Aquelas que não são encontradas em nenhum livro de Marx ou Foucault. As que só quem sente, pode falar com clareza ou, na falta de palavras, chorar com clareza.
A intelectualidade tenta jogar em suas costas um peso que não carrega, o de conhecer o mundo e sofrer por conhecê-lo. Como o personagem no filme “Matrix”, que cita o titulo desse texto.
Já ouvi muitos e confesso que até eu mesmo já havia pensado outrora em como seria legal ser um pedreiro ou coisa do tipo, sem preocupações a cerca do mundo, da filosofia, dos modos de produção. Apenas trabalhar alienadamente para garantir a vida de miséria que já estaria acostumado enquanto soltaria cantadas nas garotas que passassem.
Mas pouco precisou para que eu percebesse que esse individuo nada mais era que uma simples idealização que se faz dos outros para acreditar que nos somos os verdadeiros seres pensantes. Os que realmente sentem as dores do mundo de forma mais refinada, com direito a reflexão e tudo mais.
As pessoas no geral sofrem e não existe nesse caso um nível de consciência de sofrimento determinado por classe ou capital simbólico. São plurais as formas de refletir sobre seus sofrimentos e dar a eles o significado que mais se enquadra à lógica pessoal.
Afirmar que a ignorância é uma benção pode ser como dar um tiro no pé revelando que o ignorante pode não ser o analisado e sim quem analisa a situação dos outros e tenta encaixar isso em seus próprios “esqueminhas de ver o mundo” ao invés de reconhecer que o outro tem seus próprios conceitos também e que podem ser entendidos e respeitados.
Afirmar que a ignorância é uma benção pode ser como dar um tiro no pé revelando que o ignorante pode não ser o analisado e sim quem analisa a situação dos outros e tenta encaixar isso em seus próprios “esqueminhas de ver o mundo” ao invés de reconhecer que o outro tem seus próprios conceitos também e que podem ser entendidos e respeitados.
por: Leonardo Almeida




