quinta-feira, 1 de maio de 2014

Você é covarde demais...

...Pra entender o quanto a vida é complexa e intensa, pra vivê-la de forma autônoma, pra pensar por si mesmo as soluções para seus problemas.

A seleção natural não nos preocupa mais, até nossos exemplares mais fracos podem passar adiante seus genes decadentes, buscamos conforto em nossos livrinhos de auto-ajuda, em nossas terapias individuais e em grupo, em nossas igrejas vendedoras de esperança.

Estamos cientes de nosso fracasso em sermos nós mesmos e buscamos uma forma de aliviar a culpa por isso, por não nos realizarmos em nossos empregos, amizades, romances... Em não conseguir ser nem o que um dia desejamos, nem mesmo o que nos vendem nas propagandas.

Olhamos no espelho todos os dias e não nos vemos de verdade, vemos uma mascara desgastada pelo tempo, uma mascara que não nos agrada mais e que não temos a coragem de retirar.

Você é covarde demais pra assumir para você mesmo o que realmente é, para parar um instante da sua vida automática e pensar em si próprio. Não na roupa que vai sair pro shopping ou no perfume que vai te ajudar a marcar no próximo encontro, mas no que é você. Que tipo de monstro tem sido acorrentado no calabouço de seu ser desde a infância?

O monstro que tememos que nos afaste de nossas relações sociais tão supervalorizadas, presas por linhas tão finas que uma mínima demonstração de individualidade pode arrebentar. O preço por sermos nós mesmos é alto, é, talvez, a solidão e a angustia, mas a recompensa é a verdade. Não a verdade banalizada que nos vendem, mas a nossa verdade, a que sintetizamos dentro de nos mesmos e que nos move para frente com a força que os covardes, com suas verdades compradas, jamais terão.

Leonardo Almeida