sábado, 6 de novembro de 2010

pedaços de carne



Quantas pessoas passam por nossa vida de uma forma tão arrogante que, aparentemente, para elas o mundo parou. Nunca envelhecerão, nunca cairão na sarjeta da vida, mas de uma coisa tenho certeza, o mundo gira. E isso parece ser um ditado que, até se dito em tempos inquisitoriais, seria tido como, no mínimo, coerente.


Hoje me deparei com uma dessas pessoas. Só que ela não mais está como antes. A vida, o tempo a deixou destruída. Agora não há mais a cabeça erguida de quem se orgulha de si, de seu corpo, de sua intelectualidade. Há apenas um pedaço de carne ambulante. Apodrecendo, como apodrecem todos os outros pedaços de carne. O tempo não se importa se é de primeira ou sem qualidade, ele apenas destrói.


Ah! Doce humildade, tão atributo dos fracos quanto escudo dos fortes. Todos nos terminaremos como minha conhecida acima. Um pedaço de carne apodrecendo dia após dia. A única diferença reside no saber de sua condição. Saber o que irá se tornar. Ai está o emplasto Brás Cubas! O que nos torna mais resistentes às investidas do tempo e às amarguras da vida. A humildade serve para nos fazer sobreviver e ver os soberbos caírem em desgraça.


Se eu tivesse um bom vinho ou mesmo uma cachaça barata, teria brindado aquele momento em que a vida se revelou diante dos meus olhos. Revelou sua verdadeira face cruel e irônica.


Não pela primeira vez.

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